A garota sonhadora

fevereiro 5, 2009

Forma de Princesa!
Pose de Rainha!
Era uma menina!
Uma menina-mulher!
Uma mulher sonhadora!
Qual era seu sonho?
Casamento!
Uma mulher perfeita merecia um homem perfeito!
Mas será que ele existe?
Ela é bonita!
Ela é inteligente!
Ela é extremamente simpática!
E ele?
Não sei… não o conheço!
Ela sorri!
Ele chora!
Ela grita!
Ele sussurra!
Ela explode!
Ele implode!
Eles são tão diferentes… como poderiam dar certo?!
O tempo passa e ela percebe que ele não é perfeito!
O “cigano” que leu sua mão dissera-lhe que nunca se casaria!
Estava enganado!
As linhas de tua mão são um mistério.
Com elas, toma as rédias de seu próprio destino e traça suas metas.
Atingiu várias, e está no caminho de outros sonhos.
Ela aprendeu algo no meio dessa jornada!
Também não era perfeita!
Mas agora ao invés de buscar sozinha pela perfeição, a busca será a dois.

A Lua
O Mar
O Mar
E Ana

Esse texto é pra você!

O Nascer

novembro 7, 2008

por Lucas Rocha

Folhas secas caem das arvores. Parecem bailar no ar em uma dança conduzida pelo vento. Naquele palco da vida, o Sol lança sobre ela a sua luz, banhando-a de glamour. Em uma sincronia perfeita, elas caem uma após a outra. Ana, de longe, sentada em um banco no centro da praça, apreciava a chegada do outono. Fazia muito tempo que não mais via seus entes queridos. Ergue a cabeça e fecha os olhos. Os raios do Sol, apesar de ainda estarem fracos, tinham potencia o bastante para inibir sua visão. A brisa suave percorria seu corpo e dominava sua alma.

Que dia é hoje? Já não importa mais! A memória, o tempo me levou. A dor, a ilusão apagou. Por trás de seus belos olhos se ocultam segredos. Olhos que se fecham. Escondem-se. Reprimem-se.

Não demora muito e chuva cai. Lava sua alma. Descansa seu corpo. E lhe dá a paz. Logo a chuva cessa. O arco-íris surge, e logo descolore.

Este é o circulo da vida. Não se pode rompê-lo, não se pode burlá-lo. Se deve segui-lo.

Mal Necessário

novembro 7, 2008

por Lucas Rocha

A leve e suave brisa matutina sempre assanhava seus cabelos, seus braços abertos ao ar livre demonstravam uma falsa sensação de liberdade. Ela não encontrava comida todos os dias, mas mesmo assim continuava de pé, firme e forte.

Por fora mostrava-se muito dura, mas por dentro, ocultava sua parte mais frágil e vulnerável. Seus feitos ajudavam a todos, embora quase nunca fosse reconhecida. Sua beleza não era contemplada, mas nos momentos de necessidade todos se escondiam debaixo de suas asas. Parecia não ter sentimento. Um sorriso? Uma lágrima? Nada podia expressar!

Seguia sua vida assim, em paz sem prejudicar ninguém, quer dizer quase ninguém. Sua presença ameaçava o avanço de uma sociedade. Não poderiam apenas pedir-lhe licença, pois seriam tachados de loucos uma vez que o fizessem.

De maneira brutal então foi executada. Com um machado a colocaram no chão. Logo após, foi amarrada a um carro e arrastada pela cidade até chegar a uma fábrica, onde foi totalmente triturada em uma máquina. Seu corpo destroçado e esmigalhado hoje circula por nossas mãos e nossas carteiras.

Ela foi executada para a produção de dinheiro, a raiz de todos os males.

Repostas

março 4, 2008

Olhar o Cosmo me faz pensar, sobre onde estamos? Onde estivemos? Para onde vamos agora? A imensidão do universo a todo o tempo nos revela e esconde segredos que se perdem e se encontram a todo o tempo como um gigante quebra-cabeças que por mais que procure não encontra-se uma peça final. Talvez porque não exista apenas uma peça final. Talvez porque não existe uma peça final, ou talvez porque o final esteja no começo.

Um sorriso nem sempre é sinal de alegria, um choro nem sempre revela tristeza. Estamos envolvidos em um emaranhado de emoções que se confundem e se esclarecem em pólos tão opostos como a noite e o dia. A escuridão é algo que por toda a nossa vida vem a nos assustar, o medo do desconhecido, pisar no incerto, a surpresa desagradável sempre haverá de ser empecilhos na busca do novo.

O novo mundo só pode ser construído sobre as bases do velho. A ordem regente deve cair, e a nossa mente, é o martelo. Explorar novos caminhos nem sempre é tão difícil, então, o que dificulta?

Não tenha medo querida, são apenas trovões, a tempestade já passou, o barco da história continua de pé e sempre será contado por eles.

“Conquistar os outros é ter poder, conquistar a si próprio é conhecer o caminho”. Nem só de conquista viverá o homem…

Um amigo em necessidade

março 1, 2008

Cansado de procurar ele senta-se e se põe a descansar. Sua espera sem fim por algo que nunca chegaria acabava de começar. Lágrimas dançavam nas curvas de seu rosto, sua ferida era tão profunda que nem o tempo poderia curá-la.

Enquanto sua arrogância negava o erro, sua alma clamava por perdão. Diante de si havia dois caminhos. Qual escolher? O que há no fim de cada um? Devemos arriscar? Vale arriscar tudo por um momento?

Trilhar um caminho não é algo fácil, pois por ele aparecem vários obstáculos, várias escolhas. Como saber qual a certa? Perguntas sem respostas se cruzam a todo o tempo em nossa trilha, o chão se abre debaixo de nossos pés e interrogações pairam sobre nossas cabeças.

Não tinha dinheiro, não tinha moradia, não tinha comida. Sua peregrinação ia bem além do plano material. Só havia algo que poderia salvar sua alma, e era algo que só um amigo poderia dar.

O Sol se esconde por detrás do morro e cobre o céu com sua manta escura, sendo seguido pela Lua que derrama sua luz sobre a Terra. Sua beleza era refletida pelo mar e ali naquele ambiente nostálgico um amigo havia de continuar para sempre a esperar o perdão que jamais chegará.

Fler, a flor machucada

novembro 20, 2007

Marcada pelo fogo e presa pela eternidade. Seus atos foram realmente dignos de tanta crueldade. Sua alma desfigurada clamava por salvação. Mas o que uma jovem garota teria feito de tão errado para merecer tal castigo? Nascer? Ser filha dele? Por mais que questione não encontro razões.

De onde estava só enxergava uma coisa. A imensidão do universo. Quando chovia era um Deus nos acuda. A água subia e precisava subir num velho caixote para não se afogar.

Nasceu doce, porém o sofrimento a amargou. Seu inocente e singelo sorriso tornou-se um amargo e repressor olhar frio. Sua família? Que família? Não tinha ninguém além de si própria. O individualismo tornou-se sua filosofia de vida. Seus cabelos eram seu pior castigo.

Numa era em que todas as criaturas diferentes eram repressoras, a jovem foi considerada uma ameaça, que apesar de poder ser uma poderosa tirana, queria apenas ser igual.

Ao anoitecer o luar clareava o buraco onde a garota estava metida. Seus longos, lisos, finos e afiados cabelos negros alertavam o perigo constante. Seu brilho anunciava morte. Essa era a razão de sua prisão.

Seu nome era Fler. Uma bela flor que se caracteriza por seus espinhos, que não apenas ferem, mas também machucam. 

A Paixão

novembro 20, 2007

por Lucas Rocha

Seus olhos brilhavam mais do que da ultima vez. Talvez fosse o reflexo da lua. Talvez fosse minha imaginação. Algo estranho acontecia. O que? Ainda não sei dizer.

Cinco minutos se passaram e continuava ali a pairar sobre o lago em cima de uma frágil vitória régia. Sua beleza era algo próprio e indescritível

Sua bela canção atraia ouvintes de todas as partes. Alguns a amavam outros a detestavam.

Finalmente o dia amanheceu. Ela então resolveu dar o seu maior salto. O salto para a liberdade. Porém, foi pega por uma venenosa e faminta serpente.

Seus olhos não mais produziram aquele belo brigo. E de sua boca não sairá mais aquela bela canção que atraia atenção. Agora lá estava ela, executada como a rainha das sapas.

Sete de Setembro, o dia da Mentira

novembro 10, 2007

Feriado Nacional! Sete de setembro é uma das festas mais festejadas do Brasil! Muitos fogos de artifícios e desfiles com alegorias vão às ruas para comemorar nossa tão difícil independência conseguida pelo poderoso imperador Dom Pedro Primeiro, que montado em seu majestoso cavalo ergueu sua espada e arriscou sua vida pela nação brasileira.
- Ai!
Senti uma dor muito forte na cabeça. Como de costume, caí da cama novamente. Levantei-me e fui a o banheiro escovar os dentes. Desci e tomei meu café da manha. No meio da minha refeição matinal recebo uma ligação. Que criatura inconveniente me ligaria aquele horário? Foi o que pensei! Era alguém que dizia que minha mãe foi seqüestrada. Fiquei muito aflito e pensei em chamar a policia, mas o bandido logo me inibiu quanto a isso com ameaças. Não sabia o que fazer quando…
- Sou eu cara, o Juninho.
Era meu melhor amigo, tentava me assustar com um trote, afinal era 1° de abril, o dia da mentira. Falando em mentira, não é coincidência que tenha sonhado com nossa “independência” neste dia?
Uma independência deveria ser conquistada não comprada. Em virtude disso nossa independência não deveria ser comemorada no dia 7 de setembro, nem 1° de abril, mas sim 2 de novembro.

O Nada

setembro 28, 2007

 

por Lucas Rocha

Já eram sete da manhã de uma segunda feira quando eu acordo. A escuridão não me permitia enxergar nada. Coço os olhos, bocejo e só então me levanto. Ando cambaleando de sono e por causa da escuridão esbarro no criado mudo derrubando algo de vidro, sei que era vidro pelo som que ecoou ao se quebrar.

Entro no banheiro para escovar meus dentes. Penso então na briga absurda que tive com meu pai noite passada. Estava tão envergonhado do que fiz que não me reconhecia. Levantei minha cabeça, após enxaguar a boca e fiquei parado em frente ao espelho. O que via? Nada!

Neste momento ouço alguém bater a porta do banheiro:
- Quem é?
- Sou eu!

Era minha irmã. Ela entrou nervosa e me pegou pelo braço dizendo que todos me esperavam para o café da manha. Descemos e me sentei à mesa. Agradecemos pela comida e começamos a comer. Embora quisesse muito pedir desculpas a meu pai, não conseguia. Embora quisesse muito olhar para seu rosto, não podia. Então, no fim do café da manha, engoli o meu orgulho e me desculpei. Recebi o abraço mais caloroso que alguém poderia me oferecer.

- Você já está pronto meu filho? – perguntou meu pai.
Respondi que sim. Ele subiu as escadas pegou minha mochila e fomos então à minha aula de braile.

Questionamentos de uma vida

setembro 27, 2007

Por Lucas Rocha

A vida é eterna, não tem princípio e muito menos fim. Podemos considerá-la uma viagem. Os amigos queridos que nela fazemos, voltam para nós uma e outra vez, sem ponto final, nossas histórias se completam em uma trajetória circular, tornando-se infinita. A morte na verdade não é o fim, mas sim um outro começo, uma nova chance de fazer diferente, uma nova chance de fazer valer a pena. Mas falando em valer, o que na verdade vale a pena?

Nós nunca morremos porque na verdade nunca nascemos. A única coisa que fazemos é voltar para compensar algo pendente que aqui deixamos. Não existe tristeza completa, nem alegria completa. Como já dizia a crença chinesa do Yin Yang, onde há o mal, também há um pouco do bem, e onde há o bem, também há um pouco do mal. Nada é completo, somos um quebra cabeças que procura desesperadamente por sua peça final, que sem a qual não podemos vencer o jogo. É assim que alguns encaram a vida, como um jogo. Muitos se queixam de perder o jogo, mas não há derrota. Derrota significa perder, mas se com essa “derrota” conseguimos ganhar alguma experiência, isso não pode ser considerado perda, mas sim ganho, o que é igual à vitória.

Monstros? Dragões? Opressores? Tiranos? São coisas do passado? Não! São coisas do presente. Todas as criaturas abomináveis continuam a existir, porém com uma nova embalagem. Com o fenômeno da globalização houve o problema da originalidade. Então essas criaturas se camuflaram em outros seres para parecerem mais dóceis, quando na verdade são ainda mais perigosos.

A fome, a sede, a miséria, as condições sub-humanas são marcas presentes desde a era do capitalismo. Na verdade isso começou desde os primórdios. O mundo era do mais forte. A única diferença é a forma de medir essa força. Antes, a força se referia a força física, mas hoje, força é status, é poder, é dinheiro e quem tem força, tem quase tudo.

Uma noite de alegria, uma festa maravilhosa, muito dinheiro para gastar. Isso faz um bem para o jovem contemporâneo. Um lugar na sombra, um copo d’ água, um prato de comida e um teto para dormir, isso faz a idéia de ficção abalar um mundo de desordem, um mundo sem lei que urge por um libertador. Na verdade não somos o que somos, muito menos o que queremos. Somos o que fazemos.

Do que vale uma oração sem ação? Do que vale um querer bem se não expresso? Do que adianta chorar se não alivia a dor? Talvez para alguns alivie, para outros com certeza não.  

Muitos de nós passamos a vida buscando por respostas. Mas será que para tudo há uma resposta? Respostas boas, respostas más, a urgência pela resposta provoca a curiosidade e quando não a temos, a criamos, como se na verdade existisse. Respostas não são tudo. Respostas não são nada. Afinal, o que são respostas?

A vida existe para ser vivida, não para ser questionada. Muito se questiona acerca do segredo da vida. Afinal, qual é o segredo da vida? Respostas? Essa será uma dúvida eterna, pois talvez nunca consigamos a resposta. Já que a vida é eterna e não há respostas para todas as perguntas, talvez não haja um segredo da vida. Mas se tudo se anula o tempo todo, a vida e morte deveriam se anular. Já que a morte não existe, o que seria o contrário de vida?


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