Por Lucas Rocha
A vida é eterna, não tem princípio e muito menos fim. Podemos considerá-la uma viagem. Os amigos queridos que nela fazemos, voltam para nós uma e outra vez, sem ponto final, nossas histórias se completam em uma trajetória circular, tornando-se infinita. A morte na verdade não é o fim, mas sim um outro começo, uma nova chance de fazer diferente, uma nova chance de fazer valer a pena. Mas falando em valer, o que na verdade vale a pena?
Nós nunca morremos porque na verdade nunca nascemos. A única coisa que fazemos é voltar para compensar algo pendente que aqui deixamos. Não existe tristeza completa, nem alegria completa. Como já dizia a crença chinesa do Yin Yang, onde há o mal, também há um pouco do bem, e onde há o bem, também há um pouco do mal. Nada é completo, somos um quebra cabeças que procura desesperadamente por sua peça final, que sem a qual não podemos vencer o jogo. É assim que alguns encaram a vida, como um jogo. Muitos se queixam de perder o jogo, mas não há derrota. Derrota significa perder, mas se com essa “derrota” conseguimos ganhar alguma experiência, isso não pode ser considerado perda, mas sim ganho, o que é igual à vitória.
Monstros? Dragões? Opressores? Tiranos? São coisas do passado? Não! São coisas do presente. Todas as criaturas abomináveis continuam a existir, porém com uma nova embalagem. Com o fenômeno da globalização houve o problema da originalidade. Então essas criaturas se camuflaram em outros seres para parecerem mais dóceis, quando na verdade são ainda mais perigosos.
A fome, a sede, a miséria, as condições sub-humanas são marcas presentes desde a era do capitalismo. Na verdade isso começou desde os primórdios. O mundo era do mais forte. A única diferença é a forma de medir essa força. Antes, a força se referia a força física, mas hoje, força é status, é poder, é dinheiro e quem tem força, tem quase tudo.
Uma noite de alegria, uma festa maravilhosa, muito dinheiro para gastar. Isso faz um bem para o jovem contemporâneo. Um lugar na sombra, um copo d’ água, um prato de comida e um teto para dormir, isso faz a idéia de ficção abalar um mundo de desordem, um mundo sem lei que urge por um libertador. Na verdade não somos o que somos, muito menos o que queremos. Somos o que fazemos.
Do que vale uma oração sem ação? Do que vale um querer bem se não expresso? Do que adianta chorar se não alivia a dor? Talvez para alguns alivie, para outros com certeza não.
Muitos de nós passamos a vida buscando por respostas. Mas será que para tudo há uma resposta? Respostas boas, respostas más, a urgência pela resposta provoca a curiosidade e quando não a temos, a criamos, como se na verdade existisse. Respostas não são tudo. Respostas não são nada. Afinal, o que são respostas?
A vida existe para ser vivida, não para ser questionada. Muito se questiona acerca do segredo da vida. Afinal, qual é o segredo da vida? Respostas? Essa será uma dúvida eterna, pois talvez nunca consigamos a resposta. Já que a vida é eterna e não há respostas para todas as perguntas, talvez não haja um segredo da vida. Mas se tudo se anula o tempo todo, a vida e morte deveriam se anular. Já que a morte não existe, o que seria o contrário de vida?